04:40h, ainda estou acordado.


04:40h, ainda estou acordado.
          Hoje não apenas por estar sem sono, e sim pelo fato de estar pensando na vida, tentando entender algumas coisas, algumas incógnitas que insistem ficar me rodeando.
          Estou magoado, triste, estou confuso! Na verdade nem eu mesmo sei de fato como estou me sentindo, pois a cada dia que passa, eu menos sei o que é ser ator aqui no RJ. Não sei como se faz, não sei qual o caminho certo que devo percorrer. Já existe em mim a duvida de que “ser bom”, ou ter alguma “experiência” é o suficiente para se dar bem e ser bem sucedido na área. Sei que a cada semana muitas pessoas deixam de viver esse sonho, vão fazer outras coisas, ou voltam pra suas cidades, pois não aguentam mais correr atrás do incerto.
          Quando optei em viver esse grande desafio, sabia que estaria entrando em um mundo de incertezas, mas duvidei um pouco que precisaria também de sorte. Sorte, algo bem concorrido devido a grande quantia de atores, são muitos, e de vários cantos do Brasil, até mesmo de outros países.
          Hoje com pouco tempo aqui nessa cidade onde tudo pode acontecer, o lugar das grandes oportunidades cinematográficas, vejo o quanto é complicado chegar à pessoa certa pra desenvolver os contatos certos. Até esse momento, sei que vou conhecer muita gente, produtores, e pessoas as quais são responsáveis por grandes nomes de sucesso que temos na TV.
Eu busco as pessoas certas, eu busco a grande OPORTUNIDADE!
Oportunidade é a chave de tudo pra quem sabe oque quer.

O meu SER ATOR

          São oito anos, quase nove, que venho batalhando em busca de algo que eu já achava tão complicado em minha cidade, e agora um pouco mais aqui no Rio de Janeiro, onde estou em busca de poder sobreviver fazendo aquilo que sempre sonhei.
          Quem me conhece, sabe bem que nunca pensei em enriquecer com o sucesso na TV, Cinema, ou Teatro, que eu nunca quis provar que sou capaz para aqueles que sempre duvidaram/duvidam de mim.
         
          SOU ATOR por que eu amo, não faço por dinheiro, não faço por riqueza! Eu faria qualquer trabalho que me proporcionasse apenas a possibilidade de sobreviver, me manter, de me deslocar. Quero ter condições financeiras para ajudar aqueles que têm esse sonho tão incerto e complicado de ser ator.
          SOU ATOR, pois, acredito nessa arte. No poder que um personagem tem de levar até o público uma mensagem, uma história, um sentimento que muitas vezes são capazes de mudar atitudes.
          QUERO CHEGAR LÁ não por querer provar que sou capaz para aqueles que duvidam de mim, e sim por querer provar para aqueles que duvidam de si próprio que é capaz!
Tudo é tão difícil, tudo é tão complicado, mas ator já sou, falta eu me realizar, e viver o protagonista de minha própria história.

Li, gostei e resolvi dividir.



         
          Uma peça e seus papéis têm muitos planos pelos quais vai fluindo a sua vida. Primeiro temos o plano externo dos fatos, acontecimentos, enredo, forma. Contiguamente, há o plano da situação social, subdividido em classe, nacionalidade e ambiente histórico. Há um plano literário, com suas ideias, seus estilos e outros aspectos. Há o plano estético com as subcamadas de tudo que é teatral, artístico, e tudo que se refere ao cenário e à produção. Há o plano psicológico da ação interior, dos sentimentos, da caracterização exterior; e o plano físico, com suas leis fundamentais da natureza física, objetivos e ações físicas, caracterização exterior. E, finalmente, há o plano dos sentimentos criadores pessoais, que pertencem ao ator.

Constantin Stanislavski/A criação de um papel

VAMOS JOGAR?!

      
           No últmo final de semana tive um grande prazer de ver um grande espetáculo!
Estou falando de EM NOME DO JOGO com Marcos Caruso e Emílio Mello, dirigido por Gustavo Paso.


          Um estimulo total, e o reflexo de um trabalho realizado com muito amor e dedicação é o que encontramos no palco.



          EM NOME DO JOGO uma trama recheada de mistério e suspense que traz ao palco do Teatro Maison um duelo inteligente em um espetáculo eletrizante e totalmente inesperado.
Andrew Wyke, vivido por Marcos Caruso, é um escritor de romances policiais de enorme sucesso que adora jogos e teatro. Ele convida o amante de sua mulher Milo Tindolini (Emilio de Mello), cabeleireiro italiano, sedutor e atraente, para um encontro, aproveitando que sua esposa e amante de MIlo, Sra. Marguerite esta viajando, desencadeando uma batalha de gênios com potencialidade para resultados inesperados, pois fazem tudo em nome de um bom jogo. A história começa exatamente no momento em que Milo Tindolini entra na casa de Andrew.
FOTO: Guga Melgar
          Andrew Wyke é um homem de grande vaidade e gosta de criar jogos para experimentar suas tramas de suspense e mistério. Para ele a vida é um jogo. A cada instante que a conversa entre os dois vai se desenvolvendo o público começa a desvendar o real motivo do convite. Andrew não quer mais ficar casado com Marguerite, até porque ele também mantém um romance com outra mulher. Porém, não quer ceder em relação ao divorcio, o que comprometeria metade de seus bens.
FOTO: Guga Melgar
          Aproveitando-se que a situação financeira Milo é frágil e que Marguerite é uma mulher extravagante e de gostos caros, ele convence Milo a executar o plano perfeito: roubar as jóias de seu cofre particular, avaliadas pela seguradora em mais de 6 milhões, os títulos de propriedade, contato com receptador, disfarce para não ser reconhecido pelas câmeras de segurança e finalmente provas de que tudo que se passou naquela noite foi um simples assalto.
FOTO: Guga Melgar
          Assim, Milo ficaria com as jóias para repassar ao tal receptador, e Andrew receberia o dinheiro do seguro, além de se livrar de sua mulher. Acontece que tudo não passa de mais um dos jogos de Andrew Wyke. Logo após o roubo, Andrew surpreende Milo com uma arma revelando que tudo não passava de uma vingança, pois ainda amava sua mulher e não perderia para um cabeleireiro italiano sem classe. Milo pede em vão para ser poupado, mas acaba executado.
         

          Passados três dias, o Detetive Doppler começa a investigar a morte de Milo Tindolini, e o jogo começa a tomar outras proporções jamais esperadas e que por motivos históricos, de que uma peça de suspense policial se mantém através de seus mistérios, não revelaremos pra vocês como se desenrola este intrincado enredo que mobilizou todos os países, das mais diversas culturas e línguas, por onde passou.
          Quando estreou nos EUA, o crítico do New York Times escreveu: 'Essa é simplesmente a melhor peça policial que eu assisti em toda a minha vida'. Pouco antes de morrer o autor Anthony Shaffer declarou sua felicidade com as notícias acerca do sucesso da peça: "Hoje é um dia especial, meus agentes me disseram que desde que estreou em 1970, SLEUTH ficou em cartaz, em algum teatro do mundo, todos os dias do ano, por 30 anos seguidos.”

          Para o diretor Gustavo Paso, fã de Rubem Fonseca, a peça tem em sua construção dramatúrgica o que há de melhor nos romances de suspense: “A peça é uma sucessão de jogos entre os dois personagens, e o melhor é que nem sempre sabemos quem realmente está realmente dominando e sendo dominado.”

          A historia teve duas versões cinematográficas em 1972, com os astros Laurence Olivier e Michael Caine, e foi indicada para inúmeros prêmios em todo o mundo. Em 2005 um roteiro adaptado foi requisitado pelo diretor inglês Kenneth Branagh num remake por Harold Pinter, tendo Jude Law e Michael Caine, no papel de Andrew Wyke e Milo Tindolini como intérpretes.
Com Marcos Caruso


Em Nome do Jogo
Teatro Maison de France
Tel.: (21) 2544-2533
Sexta e sábado, às 21h30; domingo ás 18h
espetáculo não recomendado para menores de 14 anos
Em cartaz até 10/06/2012



27 de março - DIA MUNDIAL DO TEATRO


O Dia Mundial do Teatro, criado em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro, é celebrado todos o anos, a 27 de Março, pelos centros nacionais do Instituto Internacional do Teatro e pela comunidade teatral internacional. São organizadas numerosas manifestações teatrais nesta ocasião, sendo uma das mais importantes, a difusão da mensagem internacional, tradicionalmente redigida por uma personalidade do Teatro, de renome mundial, a convite do Instituto Internacional do Teatro.

O International Theatre Institute (ITI), uma organização não governamental, foi fundado em Praga no ano de 1948 pela UNESCO e pela comunidade internacional do teatro.

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!
Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma

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